26 janeiro 2010

O PASSADO EM FORMA IDÍLICA

Ainda a propósito do livro Caderno de Memórias Coloniais, das contestações violentas que o livro recebeu e dos bilhetes-postais animados (acima) que costumam matar as saudades dos nostálgicos do Ultramar que contestarão o livro, vale a pena comparar com um outro bilhete-postal animado (abaixo), este da Metrópole, também datado de uma época equivalente (1973). A música do clip (Tourada) até é desbragadamente crítica do regime (nada à moda da época…), mas será que se pode argumentar que as imagens que a acompanham serão uma síntese representativa daquele Portugal no ocaso do marcelismo? Não.
Para além disso, vale a pena questionar como que é que qualquer daqueles dois bilhetes-postais animados poderão contribuir para a explicação da actualidade, quando depois de terem sido filmados se intercalaram acontecimentos marcantes de ruptura com o passado como foram as independências no Ultramar e o 25 de Abril na Metrópole. Assim como a Praça do Marquês de Pombal e a Avenida dos Aliados que nos são mostrados no clip da Tourada nada têm nada a ver com a actualidade, também as vistas de Lourenço Marques do vídeo original serão ficções de uma época em que nem sequer foi assim…
Para ver e compreender o Moçambique moderno creio que é preferível recorrer a programas recente de televisão (como o de cima) onde intervém um cantor de ragga atestado de si mesmo a proferir várias afirmações assertivas, algumas das quais são chocantemente pouco solidárias - como a que manda os contestatários ir viver para a Guiné-Bissau… Para a nossa visão patriarcal em que achávamos que haveria uma solidariedade inata entre todos os PALOPs as palavras são chocantes… Mas a poesia actual é cantada por pessoas como MC Roger e não por João Maria Tudela e a letra não tem nada a ver com acácias…

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