26 novembro 2008

AS ILHAS IMAGINÁRIAS DE JÚLIO VERNE

Quando se discute a questão do acordo ortográfico e da importância das regras como as palavras são escritas lembro-me sempre da minha experiência juvenil com os livros das Aventuras de Júlio Verne lá de casa que, pertencentes à mesma colecção dos da fotografia acima, eram escritos ainda com as regras ortográficas em vigor no princípio do Século (XX), com ph, y e tudo o resto. E lembro-me perfeitamente como as diferenças não incomodaram particularmente a minha leitura.
Em contrapartida, os livros daquela colecção mostravam-se paupérrimos em ilustrações: havia apenas duas, uma logo no início e outra sensivelmente a meio do livro, o que era muito menos do que acontecia nas edições originais francesas. Podia ser bom para a imaginação do leitor, mas em aventuras que decorriam em ilhas misteriosas, como A Ilha Misteriosa (acima) ou Dois Anos de Férias (abaixo), a ausência de um mapa com a configuração da ilha era uma lacuna muito irritante!

5 comentários:

  1. "Podia ser bom para a imaginação do leitor", diz o António Teixeira. E assim de passagem toca conscientemente numa questão muito interessante que é a do papel negativo ou limitativo que a imagem pode ter na ficção, visto que limita de facto o espaço para a imaginação. O que nem sempre é compreendido por quem publica para crianças, por exemplo. Pese embora a contrariedade de que fala.

    Já nas notícias, não raras vezes a função é de fazer dramaticamente um juizo que o jornalista finge evitar no texto, em nome da isenção, da objectividade e outros disparatados sofismas da mesma espécie.

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  2. Mas Júlio Verne, mais nas obras com máquinas maravilhosas, fazia questão que houvesse bastante desenhos para queria que os leitores vissem o que ele imaginava.

    www.jvernept.blogspot.com

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  3. Obrigado, António Marques Pinto. O seu comentário estimulou-me uma abordagem para a questão da imaginação das crianças que há uns tempos andava latente.

    Penso que deixei claro, Frederico, que a minha crítica se destinava especificamente ao editor daquela colecção e não ao editor francês das obras originais que continham muito mais imagens e onde, de resto, se foram buscar os dois mapas das ilhas que inseri no poste.

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  4. É giro. Eu também li Júlio Verne, em edições também antigas mas, aparentemente mais recentes do que estas. Pelo menos os livros não tinham o mesmo aspecto. Ilustrações também não tinham. Mas achas que eram precisas?
    A minha imaginação colmatava a falta de referências visuais. E de que maneira!
    Na verdade, ainda hoje sou fértil a imaginar o desenrolar de um livro. Crio imagens muito nítidas, muito precisas.

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  5. Pois... As outras coisas a minha imaginação dispensava, agora os mapas com a configuração precisa das ilhas teriam sido uma ajuda preciosa...

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